quarta-feira, janeiro 25

Igrejas dos Agostinhos - Panteão Nacional dos Duques de Bragança

Convento de Santo Agostinho de Vila Viçosa, classificado Monumento Nacional, era pertencente à Ordem dos Eremitas Calçados deste Santo Bispo de África.

Casa religiosa fundada no reinado de D. Afonso III, foi beneficiada pelo rei D. Dinis, pelo condestável, D. Nuno Álvares Pereira e pelos Duques de Bragança. O duque D. Teodósio II pretendeu fundar no convento uma universidade, tendo para tal obtido breve do Papa Pio IV, anulado, no entanto, com a sua morte, em 1630, tendo, apesar disso, dado início, no convento, a um Museu de Arqueologia, onde foram reunidas lápides, escultura romana e peças recolhidas no templo de Proserpina e provenientes do templo do Endovélico, no Alandroal.
Mais tarde, houve, no convento, aulas públicas de latim e grego e, posteriormente, nele funcionou instrução primária.

Originalmente, foi o templo edificado orientado para ocidente.
No século XVII, após prolongada insistência dos Duques de Bragança, no reinado de D. João IV, foi alterada a fachada do edifício da igreja, voltando-o para o Terreiro do Paço, ficando a capela-mor e o cruzeiro da igreja destinados a panteão da Casa de Bragança.
As obras na igreja tiveram início em 1635. Em 1677, em tempos de regência de D. Pedro II, fez-se a transladação das ossadas dos Duques de Bragança para o panteão ducal na igreja deste Mosteiro de Santo Agostinho, sem que estivessem ainda concluídas na totalidade as obras de arquitectura. Com grande patrocínio régio foram as obras derradeiras efectuadas nos reinados de D. João V, D. José I e D. Maria I. O Mosteiro foi encerrado em 1834, tendo, por essa altura, entrado na posse da Casa de Bragança.

Teve uso militar até à 2ª metade do século XX, momento em que passou a estar ocupado pelo Seminário Menor da Diocese, tendo sido cedido, posteriormente, em definitivo, ao arcebispado eborense.
Templo de massa pesada e austera, edificado com amplo recurso à pedra mármore da região, desde as fundações às abóbadas, passando pela estrutura da fachada, e pelos seus pórticos e portais.

O cruzeiro do templo é obra grandiosa. Impressionante é o zimbório em volumosa caixa de planta octogonal. No adro do convento existe formoso cruzeiro marmóreo, que pertenceu ao Rossio de São Paulo, fronteiro à desaparecida ermida de S. Sebastião. A fachada do convento conserva a silhueta ancestral setecentista.

No interior da igreja, a nave, lançada em planta rectangular, de cruz latina e grandiosas mas severas proporções, repousa em abóbada de aresta e os braços cruzeiros rasgados em profundidade oferecem a magestade inerente à sua função sepulcral. Seis capelas decoram os corpos laterais da igreja, de arcos plenos interligados por pilastras aparelhadas, de mármore.

A realçar: retábulo do altar e forro azulejar da capela de S. Nicolau Tolentino, de feição barroca; retábulo barroco da capela de Santa Rita de Cássia; transepto imponente e em estilo barroco e seus altares laterais compósitos, com abundante emprego de mármores aparelhados; a capela-mor, de planta rectangular, austera mas revestida de magníficos materiais marmóreos da região, com o risco próprio de um panteão fúnebre; o retábulo do altar-mor em mármore e marmoreados neo-clássicos; o grandioso coro-alto, com aplicações de mármores; o claustro barroco, o refeitório manuelino e a sacristia renascentista do convento.